ALIANÇA COM OS DELEGADOS
PRENUNCIO DE UMA DERROTA DADA PELO IMEDIATISMO
Nossas divergências com a postura dos dirigentes do SINDPOC
não estão limitadas a um mero erro na opção da luta salarial, mas sim nos danos
que seu pragmatismo causa ao amadurecimento da nossa categoria.
Está passando despercebido e o SINDPOC não toca no assunto,
mas o item numero 1 da pauta de reivindicação que os delegados aprovaram na
assembléia deles fala de uma PEC (proposta de emenda constitucional) que visa
transformar a PC em uma autarquia semelhante a como é o Ministério Publico e os
juizados. Esse projeto mata definitivamente qualquer possibilidade de autonomia
da função do Investigador e nos transforma em meros serventuários sob o
absoluto e definitivo reinado dos delegados. Com essa PEC os delegados passam a
ser os donos da PC sem interferência nem mesmo do governador. É nesse modelo de
instituição que vamos acreditar que estaremos bem?
Quando faço a analogia da aliança do SINDPOC com os delegados
ao processo da revolução francesa, estou chamando a atenção justamente para os
danos que isso vai causar a curto, médio e longo prazo.
No processo da revolução francesa, burguesia precisava
derrotar o rei para avançar com seu projeto político e econômico, o povo
massacrado pelo regime tinha motivos de sobra para querer a queda da monarquia.
A burguesia tinha a queda do rei como tática para a construção do seu projeto
político, já o povo não tinha poder para definir o que seria construído após a
queda do regime, mas topou se aliar a burguesia para derrotar o inimigo comum
em nome de “defender a frança”. Após a vitória da revolução a burguesia traiu o
povo, levou à guilhotina seus principais lideres e tomou a frança pra si.
Não tinha como imaginar que fosse diferente visto que os
interesses da burguesia era antagônico ao um projeto de interesse popular.
Alguém teria que vencer e alguém seria derrotado, obvio que a corda quebrou do
lado mais fraco.
Os delegados têm um projeto muito claro de segurança publica
na qual visa ampliar seu poder sobre a policia, se blindar contra o Ministério
Público e evitar qualquer mudança que vise modernizar as polícias. Eles estão
sintonizados a nível nacional disputando esse projeto em todos os espaços
político. Basta ver essa PEC citada acima e tantas outras que eles defendem no
congresso. Investigadores e escrivães não têm unidade quanto ao modelo de
segurança publica, alguns sindicatos defendem uma reestruturação completa
outros defendem a manutenção do modelo por receio do que pode vir do novo ou
por uma equivocada concepção corporativista de auto-protecionismo.
A aliança entre os delegados e o SINDPOC representa uma
adesão acrítica ao projeto dos delegados em troca de um suposto apoio para a
melhoria salarial, estão ajudando os delegados na sua sanha de ter mais poder
sobre a polícia e mais controle sobre os policiais, estão “entregado o pescoço
em troca da promessa de um prato de comida”.
Portanto nossa posição contraria a essa aliança não tem
nenhuma relação com magoa, revanchismo ou sentimento de vingança. Não tem
relação nem mesmo com desconfiança, mas sim convicção de que fortalecer os
delegados é ajudar a construir as guilhotinas que irão cortar nossas cabeças.
Conclamamos nossos colegas a abrir os olhos pra essa
armadilha e virem fortalecer a luta autônoma, independente e supra-sindical do
Movimento Unificado. Essa luta tem mostrado cada vez mais força, conquistado
investigadores e escrivães nos quatro cantos da Bahia e segue firme rumo a
nossa vitoria.

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