A ANTI-ÉTICA DA SOBREVIVÊNCIA!
Direitos que até então minimizam as atrocidades que o mundo do trabalho traz a todos(as) trabalhadores desse país. Eis a reforma da previdência e a reforma trabalhista. Ambas retirando direitos e nos levando a uma forma trabalho similar a escravidão!
Isso tem levado a diversas categorias e carreiras da classe trabalhadora a desesperada reação de ao menos tentar garantir que os “seus” possam ficar de fora da famigerada reforma.
Assistimos profissionais e servidores diversos mobilizando-se numa guerra fratricida e absurdamente equivocada. Quando não egoísta e burra!
A reforma da previdência e a reforma trabalhista (que ainda não tramita oficialmente...mas já aponta aonde deseja chegar!!) surge numa lógica perversa de colocar na conta dos trabalhadores brasileiros um pseudo-déficit financeiro que dificulta o país no pagamento da dívida pública, que o estado teima em não auditar.
Alega que a previdência está em dificuldades e prejuízos em caixa devido à baixa arrecadação e acelerado envelhecimento demográfico. O que obrigaria aos cofres públicos a destinar um percentual vultoso do erário para pagamentos das aposentadorias, impedindo o país honrar com seus débitos aos juros da dívida pública.
Já se fala das mentiras do governo em propagandear a inverdade do déficit...e que, de fato, a previdência é superavitária! Portanto, o que estaria em jogo mesmo é o desejo “dos de cima” em “mais uma vez”, violentamente, nos fazer pagar uma conta que não contraímos. Em detrimento do saqueamento dos investimentos que todos(as) trabalhadores fazem anos a fio...sonhando com sua aposentadoria ainda em vida e com o que resta de saúde. Esse é o golpe frontal que esse governo faz a TODOS(AS) trabalhadores(as). E sem distinção!
Contudo, pode parecer nobre e plausível que algumas categorias de trabalhadores corram a frente e procurem defender-se...garantido ou implorando que as mudanças não atinja os seus. Mas só parece...nobre! Se não expressão de desespero...evidencia-se a lógica da “farinha pouca...meu pirão primeiro”. Ou: “se é pra alguém se fu...que esse alguém não seja eu!”. Típica conduta de quem em nada é solidário...não possui identidade de classe...quem é egoísta nos benefícios...e altruísta nas desgraças. Por fim...essa pode ser uma conduta reflexo justo e enquadrado daqueles(as) que sucumbiram diante do mundo neoliberal e isolacionista...que são céticos na luta coletiva. E desprezam a coletividade ou o irmanamento de classe.
E porque não dizer que possuem um cabedal de analise e compreensão rasa e limitada da luta. Só enxergam a um palmo do nariz! E Não saem da região do umbigo!
Assistimos isso no dia 08 de fevereiro de 2017, em Brasília. Quando caravanas de trabalhadores policiais e outros segmentos da segurança pública, de diversos estados do país que estavam na capital e nos arredores do governo central implorando para não serem colocados dentro da mesma vala comum (onde todas as outras espécies de trabalhadores estão) da reforma da previdência. Por se considerarem uma espécie de trabalhador especial e diferenciado dos demais. E o que ouviram foi mais nefasto e horripilante do que poderíamos imaginar. Pois, o relator da PEC 287/17, em reunião com comissão de trabalhadores policiais afirmou ser extremamente difícil NÃO colocar os policiais e operadores da segurança pública na pauta da reformada previdência.
Mas que via a POSSIBILIDADE de analisar as funções da atividade fim (nas policias) numa perspectiva que lhes garantissem a aposentadoria especial em outros critérios.
Ou seja: “iremos te fu... mas, de forma diferenciada”
E assim causando uma guerra fratricida dentro do próprio interior das instituições policiais. Pois, o que de fato serão essas funções de “atividade fim” que dentro da mesma instituição policial terão o privilégio de serem contempladas com uma espécie de aposentadoria especial EM OUTROS CRITÉRIOS? (que absurdo de proposta! E com a anuência de falsos sindicalistas). Estaríamos concordando com a seleção da seleção dos notáveis. E ainda com o canto de vitória de pelegos e frouxos!
E em nome de tudo isso...fazendo-nos concordar, em outras palavras, com a PEC para as outras categorias e restantes dos(as) trabalhadores(as). Essa seria a negociação traidora de classe. E ainda estão tentando negociar. Não a toa que programaram manifestações especificas e em locais diversos dos atos que forma construídos para o dia 15 de março de 2017.
E continuam se articulando e cantando vitória tentando apoio com parlamentares e reuniões em Brasília. Pasmem! O cúmulo do individualismo, corporativismo atroz, egoísmo, falta de solidariedade...quando não...curvando-se diante de proposições asquerosas desse governo.
E diante disso tudo...não adianta defender-se com o discurso de que cada um deva fazer a sua parte e defender os seus. E assim faremos a luta de todos(as). Continuaria no mundo do: “O MEU PRIMEIRO...NÃO NOS MISTURAREMOS COM VOCÊS!”.Tática errada...erro político...leitura fratricida...miopia estratégica. Em outras palavras: TRAIÇÃO DE CLASSE!
A luta trabalhista só é fortalecida e capaz de enfrentar o inimigo quando solidarizada e defendida por todos(as) trabalhadores(as). Mesmo que não se participe efetivamente...mas que ao menos defendamo-la. Mas o que assistimos das movimentações dos trabalhadores policiais é no mínimo um equivoco, pra não dizermos outra coisa!
Ou nos consideramos trabalhadores ou sejamos outra coisa! Não dá para desejar essa diferenciação a custo da miséria dos outros e negociando nossas almas. Criando fronteiras e abismos entre nós mesmos. Muito menos pedir apoio popular ou de outros segmentos de trabalhadores quando estamos rodeados de pautas próprias, como: RESTRUTURAÇÃO DA SEGURANÇA PÚBLICA ou REMODELAÇÃO DE POLICIA e etc...
Os policiais são TRABALHADORES como outro qualquer. Fornecem a força-trabalho em sua jornada laboral. Sua condição de trabalho especial...já lhes garante (ou deveria garantir) condições de trato especial. Não como uma categoria que gozaria de PRIVILÉGIOS...mas, de tratamento no mundo do trabalho de forma diferenciada. Assim como qualquer profissão de cunho especial (bombeiros, médicos, professores e etc.). Portanto, apesar da caracterização...não estamos fora da orbita da classe trabalhadora. Nossos direitos estão sendo violentados como o de todos(as) trabalhadores especiais.
Parafraseando o pensamento de Eduardo Juan Couture : Nosso dever...é sem duvidas de lutar por direitos. Mas diante dos fatos encontramos o direito em conflito com a justiça...portanto lutemos pela justiça!
Sendo assim, diria:
TODOS OS TRABALHADORES(AS) DESSE PAÍS NA LUTA CONTRA A REFORMA DA PREVIDENCIA E CONTRA A REFORMA TRABALHISTA!
SÓ A LUTA MUDA A VIDA!
Denilson Campos Neves




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